DR

DR imaginária (na ausência da tua presença):

“muito intensa
muito instável
muito volátil
muito difícil”

muito muita

“muito confusa
muito reclusa
muito difusa
muito muita”

muita coisa

“muito densa
muito concha
muito agressiva
muito explosiva”

– quebradiça

– passiva-agressiva

– manipulativa

– fogo de palha

(y eu ardendo
mariô)

“muito tensa
muito reflexiva
muito implicante
muito devaneante”

(“era só sexo
c que achou que era
amor”)

“muito evaporante, muito água,
muita água, muito mágoa,
muita marca, muita
história, muita
coisa muita
frescura”

(“só poesia
c que achou
que era calor”)

muito corte
muita cesura
muito fissura:
muito desejo

amava demais
queria demais
pedia demais
dava demais

recusava seu menos

queria muito, de você
queria tudo
menos o
pouco
que
c
me
dava:

muito vulcão
pouco magma
muita explosão
pouca lava

muita promessa
pouca dádiva

muita paixã
pouco apreço
muito afã mas
pouco tu me afagava
o pouco afeto teu me afogava

carência demais é ruim mesmo
mas retalho de amor é pior

ausência demais é
uma grande presença
do avesso

y mesmo c perto
eu sentindo só.

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espelho

tive no programa espelho com djamila ribeiro, veja lá essa misturação de palavras pretas nossas com as de lázaro ramos sob a lente sagaz de ana paula mathias!

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a dança

“qual é a música, maestro?”

eu ainda tô aprendendo
a te amar
a não contar as horas
não chorar demoras
nem temer recusa

desalimentar expectativas difusas
(profusão de análises semânticas
dum “oi” que significa só ele
mesmo: “oi”)

eu ainda tô aprendendo
a me perdoar
não ter falado um tanto
(ou ter falado tanto)
por ter errado tanto
quanto você
por me machucar

(y com certeza um dia
me perdôo por te
machucar)

eu ainda tô aprendendo
a tatear a densidade leve do ar
nessa ponte que erguemos entre
o meu y o teu
silêncio
a tua y a minha
ausência
a histórica
carência
a memória da
latência
a querência da
trajetória que tentamos
trilhar juntas mesmo em tanta
perdição

y inda tô desaprendendo
o teu mais que meu
desapego
y el mío mais que el tuyo
celo

a esquecer
o que não
tem per
dão

não existe mais máquina do tempo
depois dos 32 (anos, dentes, anéis de
saturnos, casório-y-separação, DRs y des
ilusão)

mas talvez tem mágica no vento capaz de
dar uma pausa no tudo que aconteceu depois
que eu viajei pra salvador y você cantou,
no caminho do aeroporto,

“nunca mais
vou gostar de você
nunca mais”

.

ou se não uma pausa, só:
dissolver o mal-estar,
se não dissolver só:
nos lembrar:

que num tem mal-estar maior que aquele afeto doido que foi/fez
sentido. que um dia caiu. que se machucou. que joelho ralou.
y que um dia virou outro afeto: uma noite se desvelou.

y olha:

fosse aquele tempo eu cobria com babosa
machucada y mel (melhores cicatriz
antes) o joelho ralado do afeto
eu colava um bandeid em
cima y até dava um

bejinho

pra sarar

mais depressa

mas como o tempo é esse agora tô mirando
a cicatriz pra lembrar que
tudo que corre
pode tropeçar, pode cair,
pode escorregar. ou pode ganhar
impulso pra voar, na beira dos dois gumes:
planar. pousar.

demorou uma era, bissexta²,
pra eu poder me rever do seu lado
y tô reaprendendo andar no meu passo
(que c zombeteira troca com o seu). sipá um dia

nesse tempo-espaço

a gente

até

volta a se bailar.

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bença

com a benção de Oxalá,

seu nome uma mancha bonita
carrega meu plexo: aquela dignidade
de quem já sangrou y bem tranquilamente
cose no tempo suas cicatriz,

balança no v e n t o:
bandeira rosa, é,
mas rosa sa(n)
grado que
ele deu
pra ap
assentar Onira, viu?

né coisa de cor de barbie

não

(que tudo o tempo faz
velho, y tudo
que é velho
agridoça feito licor)

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avesso

o avesso da vida num é a morte, é o medo:

eles plantam um chip na gente,
no fundo da nuca, quinem aquele filme
do keanu reeves, lembra?, quinem na base
da espinha daquele outro, do cronenberg, sabe?,

plantaram um nanochip no fundo da gente
pra ativar um medo de morrer quando
tá quase ficando feliz. (a daisy
sabe. analu também. y os
pássaros com nina, eles
sabem eles sabem ela
disse que eles
sabem)

plantaram um p(s)icochip na gente
f e m t o z e p t o y o c t o
lá no fundo do nosso
cerebelo vaso
vagal lá
onde o lolo tá tão inflamado que
as patinha dele perdem o equilíbri
o focinho fica torto prum lado cambale

ando achando procurando buscando esse
micro nano pico femto atto zepto
yoctochip que eles plantaram

no mundo

do fim do fundo
de mim eu s
ou
tão apo
calíptica mel
dels mesmo num
sendo católic a
postólic a romanic
a bíblic será que será
que será que será que será
se num é eles o chip deles não?,

será que é da nasa será que é de louça
será que é de éter o chip da cia? y se com
a morte nos meus calcanhar eu ando escapando
por um triz

y se eu morrer y não cair
no céu ? y se eu pudesse e
ntrar na minha vi – iii – da

[imagina o milton cantando essa paródia aqui, imagina imag
ina imag inimag]

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dançar

a dança dos mortos:

eu tenho a razão no passado,
o futuro nos sonhos,
y o corpo numa
brecha do espaço-tempo
[#ElaNãoEstáMais]Presente¹:

veio com útero, mas nem
por isso me chamo
mulher

; eu também quero furar
aquellos muros eu tam
bem sou feita

de ar
de verve
__ tédio y
de medo eu

já dancei a coreografia
lenta quando amor
te acord a vida

, eu tam

bem atraves
sei aquele mar sem colete

nenhum.


††
†††
notas:
¹nos deixem celebrar
que estamos vivas não
venham carpidar nossxs
Eguns: 13/04/2016; 14/03/2018

v. 2

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