presságio

o presságio
:
nesses tempos tão sombrios
conservemo-nos serenxs
cada movida da luta
sempre é mais,
nunca menos

o fascismo é apenas uma face
do medo, e não do poder

enquanto nutrimos a esperança
eles não vão
nos vencer

(uma paródia de cassiano ricardo, pra alimentar a vida nesses tempos de medo da morte)

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marinhêra

“o seu nome eu escrevi
na areia
a onda do mar […]”

é salgado é sagrado
é saudade o mar
era vc vc era
:no sonho

de tantas eras
marés areias
lua cheia era no
outro hemisfério, sur

quanto aqui tela preta
o céu-ecrã meio blur
que meus olho, imit
ando rebentação
salgada s
agrada saudade

de vc vc vc,

—ejava
—ulhava,
—inhêra só,
a—gava:

“eu não sou daqui,
eu não tenho amor”

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talhos,

aprender a tempestade,
soltar seu peso,
secar ao sol:

rugir trovões

derramar a tempestade,
despir de peso,
pairar no sol:

cantar trovões

suceder a tempestade,
fluir seu peso,
beijar o sol:

gozar trovões

antecipar a tempestade,
ruir seu peso,
lunar o sol:

cuír trovões

e pra que nada te desfaça,
se refaça, se refaça
se re-
faca.

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você o mar

sonhei que vc era o mar
suas ondas diziam
que iam
ficar com tudo
me lembro de pensar
que já tinha te dado tudo

y de bom grado. qualquer coisa
que restasse vc tb podia
levar.

do lado de lá do sonho uma
voz no tempo dizia
“2063
ou 63 anos”
(o que chegar primeiro)

y eu
acordei
assim mesmo
sabendo que já tinha

acordado.

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capim

a paixã uma égua indomável ruminando
pa ci en te men te
o capim alado:

espero no sonho duma esquina
onde torto entorna avesso y
a rua dobra o sono dobra
meu volume por você
dobra
esquenta
abaixo – meu centro gravitacio
now

te encontro na esquina desse sonho
onde avesso encontra o doce y
sua voz de véu macio úmida
dobra meu ardume por vc
aguos
ardente
afunda – léguas cheiro [seu] trabissêro ]meu[
sazonal

me entorno nas quinas das arestas das
falanges que um dia c guardou y há
de reguardar again nas minhas
frest amém há de cavalgar
meu costume por vc há
um som
estan que q
atravess a crina

entre a noite y o salto

[in ci den tal]

:a cama a galope
cai na dureza de asfalto
do dia que aurora acre, des
lembrança mascarando feito

sonho escondid o madrugal d

o que é uma febre
que é um desejo
que me des
dobra me
esquina
me saliva você toda y:

toda sua ausência
toda sua ausênc
toda sua au
zen

a saudade é uma ciência da fé,
da paciência

um indisciplinamento selvagem quinem
]arre égua[ um

cio

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DR

DR imaginária (na ausência da tua presença):

“muito intensa
muito instável
muito volátil
muito difícil”

muito muita

“muito confusa
muito reclusa
muito difusa
muito muita”

muita coisa

“muito densa
muito concha
muito agressiva
muito explosiva”

– quebradiça

– passiva-agressiva

– manipulativa

– fogo de palha

(y eu ardendo
mariô)

“muito tensa
muito reflexiva
muito implicante
muito devaneante”

(“era só sexo
c que achou que era
amor”)

“muito evaporante, muito água,
muita água, muito mágoa,
muita marca, muita
história, muita
coisa muita
frescura”

(“só poesia
c que achou
que era calor”)

muito corte
muita cesura
muito fissura:
muito desejo

amava demais
queria demais
pedia demais
dava demais

recusava seu menos

queria muito, de você
queria tudo
menos o
pouco
que
c
me
dava:

muito vulcão
pouco magma
muita explosão
pouca lava

muita promessa
pouca dádiva

muita paixã
pouco apreço
muito afã mas
pouco tu me afagava
o pouco afeto teu me afogava

carência demais é ruim mesmo
mas retalho de amor é pior

ausência demais é
uma grande presença
do avesso

y mesmo c perto
eu sentindo só.

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