taipa

taipa (o big-bang do criacionismo):

curar não significa nunca mais
vai doer,
feliz não significa nunca mais
vai chorar

ser forte não é rigidez
(aquebrantável; tem alguma coisa,
na fragilidade, pra se
aprender)

matéria é uma casa que habita a gente no
finito da jornada. mesmo que cimento
prometa eternidades, é de mariô y
barro a lembrança da acolhida

(palha, ou clorofila morrida, y
tecnologia de terra muito molhada
que a primeira deusa, velha, lenta, macerou)

perfeição é o nome de um deus:
botamos pra morar na nossa
falha. a gente é nada mais

que poeira das colisões estelares,
a gente, poeira de toque e o

dissolver as estrelas:

um registro do fim
um pedaço do nada
um silêncio de vácuo
a memória do brilho, do

brilho

y saudade
do infinito.

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china

[e além de tudo tinha o magma, j. verne,]

às vezes sinto alienígena
dum jeito irrepatriável,
será só eu
tão deslocada assim?

às vezes de vidro dum jeito
meio incolável, será
por quê tão
quebrada assim?

às vezes doente quase
incurável será
essa dor
tão funda assim

que não chega no fundo mesmo
pra finalmente sair do outro lado, que nem quando
era criança e pensava que cavasse a terra embaixo dos pés
tanto e até o fim atravessava tudo o mar e chegava do outro lado

na china?

o medo da criança parecia doído menor
(que a criança era menor)

o jeito da criança resolver parecia
mais fácil (era só querer)

ela era sem limites

às vezes vejo nem tão adulta assim
só maior
só mais limites
e a china parece um caso político sério de
exploração trabalhista pra meus acessos tecnológicos,

segundo os jornais,

e o planeta virou uma assunção geológica que
pá mental nenhuma nem britadeira
nostálgica imaginária ou solução
absurda de obviedade invisível

dum erê que (me) perdi

é capaz de atravessar:

às vezes gira tão sólido
no meio do vácuo
sideral,
irrefutável, nem
parece tão perdido assim.

[além da pressão, do petróleo, dos phósseis]

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cientistas

o amor é uma tecnologia de guerra (cientistas sub
notificam arma-biológica) indestrutível:

a urgência dos nossos sonhos não espera
o sono chegar: isso que a gente faz
deitada
chama revolução.

sua palma, em linhas p
retas, dança calor na minha pele
(cores tortas, que somos).

isso que
aparenta um segurar-de-mãos
ousado não é declaração de posse
ou de mero par, casual que fosse, nem
só demonstração de afeto pública
carícia brusca contra essas
tropas, brutas

(eles quase que nos
somem),

é nossa arma de guerra, “mana minha”, minha amiga, desejada

amante,

y essa eles não vão
adulterar desativar corromper deturpar
denunciar na ONU caçar como terroristas
capitalizar sabotar (re)acionar – essa eles não podem

não querem y nem saberiam

acionar –

essa é química
hormonal
visceral
astral
usa fonte de energia
renovável (“friccional”)
é inesgotável reciclável tem

garantia

ancestral

o nome dela anda meio banal,
“amor” (se bem que a prática tamos
reinventando…), mas ainda é nossa maior
tecnologia (y a mais vasta) en contra y adelante
a escassez dessa cruzada. e eu não tenho

medo: cada peito como o nosso a
briga a força de mil granadas
y mesmo assim nem
se forçadas
paramos de lançar
primaveras pelos ares
(agourentos que eles cavam)

eu acho
que faz tempo
que sonhamos acor
dadas, que nossa paz
é barulhenta,

que da areia dos nossos olhos insones
a noite fabrica suas pérolas (de
amor, e de outras guerras):
e elas brilham
como nós

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plumas

nada além de silêncio
no paço depois do grito
(o desconforto é um lugar,

também,: ex-

passo)

e eu (quase) não minto quando (não) digo
que a saudade é um delírio

sideral

(quem sempre sonhou teto pode até
assustar se
as escap
ulas inventam

de brotar)

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fibra

a cor original da fibra

vento acordou os ouvidos cantando hinos
de fogo y liberdade
ela relembrou o povo vindo de que somos
feitas de luta sim
de amor também
de feridas sim
de gozo também

e que fomos rancadas sim
– ‘ai’, de um pio, pra erguer ráp
ida revoada anu talhando em negr
o céu cinza –

mas Luzia veio com suas próprias asas,
e que as penas brotadas em suas escápulas
eram de pluma de algodão, eram de pluma enc

ardida

de algodão.

pra priscila obaci y fabi carneiro

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pedagogias

das pedagogias-pássaras:

sem esquecer que o pouso
faz parte das tecnologias-voo
que amar é uma arte & um brin

quedo

precioso;

que a diástole am
a sístole, que a diáspora é
raízes, que o mar kalunga é berço
da morte da vida do banzo da sorte;

sonha solo as passarices
dos voo-cedo. y mesmo que
longe-pareça, junta galho retalho

calor
carinho

monta no alto dos poste o bando-ninho

(que o amor talha mas não farda; e mesmo
com medo faz ponte, regaço, é meio – caminho)

v. 3

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