plumas

nada além de silêncio
no paço depois do grito
(o desconforto é um lugar,

também,: ex-

passo)

e eu (quase) não minto quando (não) digo
que a saudade é um delírio

sideral

(quem sempre sonhou teto pode até
assustar se
as escap
ulas inventam

de brotar)

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fibra

a cor original da fibra

vento acordou os ouvidos cantando hinos
de fogo y liberdade
ela relembrou o povo vindo de que somos
feitas de luta sim
de amor também
de feridas sim
de gozo também

e que fomos rancadas sim
– ‘ai’, de um pio, pra erguer ráp
ida revoada anu talhando em negr
o céu cinza –

mas Luzia veio com suas próprias asas,
e que as penas brotadas em suas escápulas
eram de pluma de algodão, eram de pluma enc

ardida

de algodão.

pra priscila obaci y fabi carneiro

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pedagogias

das pedagogias-pássaras:

sem esquecer que o pouso
faz parte das tecnologias-voo
que amar é uma arte & um brin

quedo

precioso;

que a diástole am
a sístole, que a diáspora é
raízes, que o mar kalunga é berço
da morte da vida do banzo da sorte;

sonha solo as passarices
dos voo-cedo. y mesmo que
longe-pareça, junta galho retalho

calor
carinho

monta no alto dos poste o bando-ninho

(que o amor talha mas não farda; e mesmo
com medo faz ponte, regaço, é meio – caminho)

v. 3

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salgada

funda; escura.

c diz
que não
sabe me olhar
??? eu sou o brilho
do escuro da noite que

encara

seu sono

c diz
que não
vai me escutar
!!! minha língua
é a voz do silêncio que

acorda

seu sonho

c diz
que não
quer mergulhar
y bóia-rasa a tensão-
superfície minha pele-água

o meu corpo é sal
de saliva de nau
minha alma é o sal
minha vida é o sal

do oceano

eu sou o sal,
eu sou o sal do seu pranto
eu sou o sal,
o sal do meu gozo sou eu

(
con
fundo
sua clareza
)

c diz
que não
pode me amar
mas seus olhos na rua

me mordem
seu toque me rasga
seu desejo quer me roubar

e diz
que não
quer mergulhar
que eu sou funda eu
sou sal eu sou v a s t a

y escura

como o oceano

(
não vá
se afogar
)

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ludmilla

[é bom bom bom bom dia,]

a cintura
lilás da alvorada;
limão couve maçã em
doçura
(liquidi
ficada); e
fervescência mais preciosa que
espumante (
minhas
funduras
feitas água

calientita
tão salobra trans
bordante):

todas tecnologia matinais
ela traz
na pont
a
das falange

[até a ludmilla sabe
que é bom bom bom bom bom]

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areia

“morrer na areia”

tal
vez
que

de tanto me afogar em turbilhão de poças rasas

eu tenha desaprendido a mergulhar
água calma maré funda

tal
vez
que

eu vejo toda onda tsunami
eu faço tempestade em concha d’água

não sei mais mergulhar

sua praia, mansa ou sonho

de ressaca

?

tal
vez
que eu já
desaprendi

nadar.

v. 4

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v_acuidade

eu continuo rezando as palavras em vão,

desdobrar deserto em:
mar >> sonho de
sal, areia
vidro

toco de vida
fundo de não
parede de cone
(cintura invertida)
escorrendo de const

elação

relação das coisas com suas
pequeneza, da água com suas
fundeza, da mágoa com sua
rudeza

(escorrem grãos-estrela no vácuo-oceano que respiram
os planetas: Quíron – sempre me doeu -, ou,
quiromancia sem destreza
e seta
sem certeza)

delação, quando medo;
se milagre: rev
elação
elação
elação

no cume da sua miragem morava um mistério em erupção,
e eu continuo rezando as palavras em vão,
em vão
em vão

(que amor se arqueia ao vento, a void a natureza-flecha da paixão)

eu continuo rezando

as palavras

em vão.

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