paguro

título:
a arquitetura do acaso.

abstract:
o porto-seguro que um paguro habita é a casca abandonada de alguém

palavras-chave:
mollusca (-cefalópodes, concha-interna); arthropoda (crustacea); coração

intr./desenvolv./dados/conclus.:

esse coração um lugar solitário
– teve que fazer
morada dos escombros,
a nova inquilina. “coi-taaaa-da” –

quase que me dislembrei da dúvida mais boba de todas,
como chamava meu espírito, que nome tinha
minha alma, fora das tantas histórias
de carne que inventou pra
distrair
o passeio nas galáxias?

pergunta útil tem
resposta fácil, tipo
c comeu
que horas? beterraba
crua ou fervida? y o cheiro
daquela mulher morava denso
que parte de você?
(até ir embora da
rotina

nas retinas
nas narinas

ou quedou-se,
fantasma
do des
conforto assom
brando o pátio das
lembranças repen

tinas?)

as outras inquietações não
nus servem muito de nada não,
só num esqueça de lembrar: nem
sempre tivemos, nem
sempre vamos estar
por aqui;

a carne é pouso
veraneio (y nem todo mundo ocupa
como sua – cangrejo ermitaño morando de itã
em itã). atá, o que me lembra: seu coração,
que morada solitária, hein

tendo que fazer amor

dos desencontros..

etc.

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quase

me dá um pedaço do seu amor?, só um pedaço
não te quero inteira
não te quero toda
não te quero de

mais

só aquele pedaço tosco
lascado quebrado fodido moído
caído no chão, joelho ralado, doído

o pior pedaço não, nem o mais desimportante
(que isso ia ser te pedir o melhor do avesso, mas de melhor

num quero nada

porque também não tenho pra dar hoje não)

então me dá se quiser um pedaço do seu coração
um espaço, uma brecha uma fenda um vão
um caco, um caco de alguma vez que
ele foi quebrado mas que você nem
lembra mais direito como, quando,
por

quem mesmo?

esse que eu quero
dá pra mim esse caquinho

essa lasca, essa ruína meio gasta – mas não velha demais
a ponto de chamar de arqueologia,
nem nova demais a ponto de
não ser uma velharia –

esse caco que você sequer pensaria que alguém quereria

pra uma coisa qualquer, que valesse um poema,

eu quero. pra juntar com um qualquer pedaço do meu coração remendado
embaixo de um dia besta de sol, pra colocar do lado um do outro, embaixo do sol do meio-dia,
pra deixar inda mais banal o zênite da mediocridade cotidiana do sol no meio do céu no meio do dia,
pra sentar y observar como tudo, tudo mesmo, qualquer coisa brilha embaixo do sol, até um caco bobo

de vidro meio

arranhado

(que nem alguns pedaços dos cacos do meu coração. e eu vou chamar essa coisa pouca, boba, pequena, comum, banal simples tola de amor também, eu vou vou ver essa coisa brilhar esses fragmentos do que somos buscando

rejunte

eu vou quase me cegar desse brilho também

e assim de tão banal que vai ser esse sol esses cacos esse encontro a calçada suja onde os cacos se deitam a plantinha nascendo no craquelado o concreto a rotina o gosto de sal o suor escorrendo pela testa o dia deixa de ser banal por um

instante

ou quase, y isso é quase se dar inteira pra alguém, do jeito que as coisas andam hoje.)

jan2017

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breve

(então pousa o pé no chão)

vão dizer

que o caminho da felicidade é viver um grande amor
que o caminho da felicidade é realizar um sonho
ou que é ter muito dinheiro, ou flutuar
espiritualmente, gozar muito.

vão dizer: o caminho da felicidade é uma coisa
um segredo. uma meta. tá no livro, é
um exemplo, um modelo,
o impossível

(vão dizer “num existe felicidade”
– não pra você).

vai sentir:
que felicidade é
seu próprio caminho
y cabe certim no espaço
entre um y o próximo

passo

(, mas pousa leve
breve, y vai.)

v. 4

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desaprendizado

[um desaprendizado da gravidade, ou
“isso num é poesia”]

eu
desaprendi,
num sei mais fazer poesia.
agora eu só sei fazer: silêncio.
qui nem terra, silêncio velho, raro,
ou chuva que molha a terra em barro:
silêncio
qui nem o vôo pássaro (eu tb desaprendi
novoacordortográfico) é
silêncio
uma gota na folha
o sono vulcão
nuvens em
retirância

o fim de uma espécie
dinossáurica ou
insética: um>
a(r)dor de
silêncio

só derramar das nuvens,
transbordar vulcão,

só magma,
só tempestade,

isso sim que é poesia.
isso aqui meu nã, num é poesia, é
só muntuado de palavras fricionando pra
esquecer
praquecer
o frio sideral de quando formos
– de novo – fragmentos do vácuo, seu

silêncio primordial
matériantecipad

o

caos.

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ontemvidência

fazer da palavra: fogo,
fato. fazer do inexato
tiro reto. fazer do
deserto seu inverso:
fonte
o dito
o nexo explícito
que nem fazer de cada réptil
(rasteiro sobrevido em
sombra pedra duna)

dinossauro rexibido em
gigância em garra
em runa

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flamboyant

flam
boyants de coreografia
flam
ejantes

(é um combinado de árvore com natureza dela mesma:
que raízes se agarrem mais no fundo, quanto
sementes flores é de voar o mundo

– por algum segundo funciona, só não vá se surp
render da gravidade. medo de acabar moído
em molares nunca impediu nenhuns
desabrochares; o major disse,

“lembra que tomate era uma flor”)

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Odara

ballet Odara:

deita a cabeça y diz
‘cansa do eu’
deixa sonho em
Bara
çar o seu
corpo no breu:

ternura é um passo que a del
i(cadez)a aprendeu vériuél,
dançando um jeté
ao avesso na l
íngua do céu:

ballet Odara ❤

Bara, o dono da boca
ao léu, trocand aspa
lavra do mundo

resolveu:

que a noite tem gosto do gesto que
Um di(a)ssolveu… "me salva",
seu lento "me salva" p
resto! selva é son
ido de preto,

afaga ❤

[deixa a cabeça,
descansa do
eu]

 
 
 
 

pra wel adélia

v. 4

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