areia

“morrer na areia”

tal
vez
que

de tanto me afogar em turbilhão de poças rasas

eu tenha desaprendido a mergulhar
água calma maré funda

tal
vez
que

eu vejo toda onda tsunami
eu faço tempestade em concha d’água

não sei mais mergulhar

sua praia, mansa ou sonho

de ressaca

?

tal
vez
que eu já
desaprendi

nadar.

v. 4

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v_acuidade

eu continuo rezando as palavras em vão,

desdobrar deserto em:
mar >> sonho de
sal, areia
vidro

toco de vida
fundo de não
parede de cone
(cintura invertida)
escorrendo de const

elação

relação das coisas com suas
pequeneza, da água com suas
fundeza, da mágoa com sua
rudeza

(escorrem grãos-estrela no vácuo-oceano que respiram
os planetas: Quíron – sempre me doeu -, ou,
quiromancia sem destreza
e seta
sem certeza)

delação, quando medo;
se milagre: rev
elação
elação
elação

no cume da sua miragem morava um mistério em erupção,
e eu continuo rezando as palavras em vão,
em vão
em vão

(que amor se arqueia ao vento, a void a natureza-flecha da paixão)

eu continuo rezando

as palavras

em vão.

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cadentes

(de) tudo que se distrai (e) cai piscianamente no mesmo buraco, ou
 
no afã da carne das coisas,
quedo,
imaginando um baile
do intangível, in
alcançado &
 
restless
 
(se os budista tinha o tao da razão;
se seus dedos nos meus
medos, &
só)
 
na falta de seus lábios em pares bebo
suas palavras que a boca (ad)
verte
 
e seu revés:
 
silêncio que quase não se ousa tocar o
cerne das coisas, e n’aflita do
cerne das coisas, dum
mientras las cosas,
 
(como se os meus iriam da curva oblíqua sua
asa baja – tus espaldas – hasta la tierra
que sacra la raíz – de tus pellos
adivinhar fantasias a cintura
das coisa – tuatuatuas
volta na lua)
 
na-da profundidade que se dobra
ar-rítmica / marítima /
mítica me sobra
 
o cais.
 
imagino tu desertos papilais,
 
salivando meu céu da boca
como estrelas de condão
me-teorizando o céu
da boca ou ca
 
dentes
 
de brio opaco
 
feito estrela sem-pedido ou constel
 
ação sem vácuo: eros na zênite perpendicular
 
do caos.
 
v. 3
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naturezas

tudo traz na sua natureza passar,

ossos caindo areia queimando vidro quebrando cacos juntando pó, ventando, pra espairar:
é da natureza de tudo chegar, e seguir suas andança – horizonte só é fixo até
onde as vistalcança

(e olhe lá)

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baobá

baobá

cheio de lagri
mar, o meu peito tá cheio de lagri
mar. pra quem veio do lado de lá do mar, é
no peito que planta si-próprio: lar. cheio de lasti

mar, o meu peito num veio pra lasti
mar. pra quem pensa que banzo é sobre volt
ar, o futuro é um meio de retornar. cheio de l’amém

tar, o meu peito tá cheio de lá, men
tal. pra quem tejo do avesso do
tempo, mar, é no peito
que dança-si: um

baobá

v. 6

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mesozóica

os olhos do mundo têm uma fresta
por onde se vê, quanto lindo,
tanto passa(n)do

as vozes do mundo emprestam um som
de vestígio ao natural das coisas,
levitando dúvidas

nota-se que a mirada do mundo mora em silêncio,
e que do teto de sua garganta entorna
uma lágrima (estalactada):

seu pranto mimado antecipa um carnaval de vésp
eras: mundo vasto cabe num ponto final,
por enquanto, ou numa quarta-

feira de cinzas dum vulcão qualquer,
magma velho der
retido.

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cabresto

sei da sua compleição
(você que nunca soube lo
que hacer da minha complex
idade: fui sua-
vez),

suave como noite é tempestade,
suave como nada clave nem verdade,
suave como arranhar arestas com as unhas

roídas

sei da falta cada coisa faz
cada coisa em seu lugar, inclusive
sua saudade: sei ausências, desequilíbrios – sei
que meus mal-ditos enchiam com fantasmas seus anéis, de

ruídos

(e que não vai fazer falta quando passar a falta que me resta pra sentir

você de mim, memórias trajetórias que se perdem suas

réstias: y a terça que eu fazia pra tua voz

diminutas, agora, di

minutas)

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