paraíso

cuíer paradiso:

pra mim,

o paraíso cuíer podia ser um lugar muito simples:
encostar a cabeça no meio das suas teta, ou
te receber no meio das minhas coxa

e depois ir ali na padaria contigo, tomar um suco
(laranja com banana y açaí),
passar a mão no seu cabelo (te reconheci
pelo seu “corte preciso”)

sem ter que usar armadura,
sem ter que antecipar resposta,
sem ter que aprender como dá murro e nem
mapear o espaço antes de entrar

pra ver quem tá lá
imaginar
que ameaças eles fariam
quantos são
se viram a gente, se nos seguiriam

pra mim o paraíso cuíer podia ser menos burocrático que
casamento igualitário regulado pelo estado
(porque é o mesmo estado que paga
a polícia, lembra?)

podia ser menos desesperado que a paixão inteira num dia só
(calma,
amanhã eu
posso vir aqui, y
depois de amanhã a gente vê, mas quando você vier
eu vou gostar de te ver)

podia ser menos agoniado que vinte reuniões na mesma semana
(com palavra de ordem / questão de ordem
contra todas as ordens mas
organizando tão igual…)

podia ser menos vigiado que todomundo perguntando se é aberto ou fechado,
ou como a gente tá junta de novo se já tinha terminado,
ou “c num sabia que ela tinha um namorado?”

podia ser menos tudo que dá esse cansaço, essa desesperança, essa desconfiança
pra mim um paraíso cuíer podia ser mais tranquilo, mais respirado
podia ser eu y você num dia ensolarado

(mesmo que daqui a pouco fosse cada uma pra um lado;
eu ia gostar. ah, e a parte do pecado, essa parte
eu ia gostar também)

eu tô tão cansada de ter que corrigir o mundo inteiro na minha cabeça y ele
continuar errado… de tentar resistir, responder (sem esquecer de dançar,
de sorrir) e ver que eu vou morrer sem nada tá mudado,
mudado mesmo

pra mim o paraíso cuíer ia ser deitar um pouco do seu lado, ver
seu rosto dançando na fumaça, a cortina respirando sua janela, pulmão

a céu aberto: exposto, delicado,

mas forte.

sentir seu coração conversar com a pele do meu ouvido enquanto a noite vira dia

y a rua esvazia o silêncio com aqueles barulho de dia acordando, pássaros avisando, vizinho

cantando cedo, transporte público começando tarde (afinal, é o DF)… um pouco de qualquer coisa que me traga a coragem da sua

calma

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