laroyê

eleguá ko
eleguá ko aña

minha boca
boca do mundo
calada
parece fazer mundo dormir
encruzilha meu Ori na desmastigação de todas
palavras
sonho desconfuso de eu dejá-vivi

alaroye
masankiô
eleguá ko
eleguá ko aña

minha boca era sanha
afã de tudo aspirar
devorar
com sede sedenta de água de mar
y quanto mais entornava mais sentia aumentar
sede da própria gana
desejo do próprio
latej-
ar

me assanha pela boca
minha sanha é pele y boca

encruzilha eleguá
descaminho impossível não podia mais chamar

eleguá ko aña
alaroyê

minha boca me abria no oco do mundo
se calava parecia que mundo ia acabar
minha boca me cobria
mas sem nunca me cobrar
era só o que eu dizia, y o que eu queria
calar
aí só me ouvia
respirar
agô

masankiô

falando era boca de tudo
encruzilha o avessar
motumbá

bendisse Ifá:
trezentos y sessenta
graus de retorno
me avisou

alaroyê,
masankiô

mas retorno
nunca mesma
que nem água
nunca “nunca”
“nunca mais”
sempre mais,

eleguágua

de beber
mergulhou fonte pra-eu-dentro
viu segredo
desnome-
ar:

eleguá
eleguá ko
eleguá ko aña
alaroyê masankiô

eleguá ko
eleguá ko aña

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