quelóide

quelóide:

aguardando aguardente no balcão rangente, rangendo os dente atento em tudo que se movimente
um soluço menor que fosse o impulso jamais pego no susto, sagaz que nem capataz mas incapaz
de cagüete.
“tu é macho ou enfeite? diz!”
“tu é macho ou enfeite rapaz!”
tu é macho ou enfeite.
dis-
confiado de herança no sangue matreiro de avô pai filho espírito mineiro, mas capitão de mato não,
nem invente, tome tento – ou aguardente, entorna um tanto pro santo, cadê esse mé, são tomé, ou josé?, como
que vó benzedeira dizia?, rezava, disfazia mau-olhado relento banzo espinhela-caída tristeza cancro encosto maleita quebranto,
já falei…
coração partido?
já falei…
banzo?
era antônio, era, o santo? curandeiro que nem ela, há de ser lázaro, lazarento, de chagas y miséras, era?
era nada, atotô mesmo, y no fim credoemcruz só pá dá o migué nus cristaneiro, padrinho da sé,
frouxo no lé-
ro mas de
ferro na fé
diz que é tomé mesmo, memória é tudo inventança, axé num testa mais, quem tem fé taca é pedra nas criança das iabás,
y tomé nem páreo tem, gêmeo forçado bastardo excomungado sincretizado demonizado nada é puro mesmo halo todo pra ele
amém.
cadêssaguardente, moço?, um bucado de tempo esperando, moço, coração ralentando, o olho pesando, um troço
aqui dentro mole que nem caldo de cana por isso metia logo era bala, comia era xana,
na gana de assim mascarar a sofrência, a dormência, a verguenza-macheza toda armada,
armadurada faixada, fingido mais duro que o pau, que a pura rapa do tacho
desgraço colonial
açucado & doído…
que nem engenho fodido em sua memória de canavial, fim margurado, caroçado, esgarçado dói que nem dor
de dente,
quelóide latente na pele preta da alma da gente y…

opa, finalmente!, a dose vem certa,
vira de um gole, eh quente, rasga a guela inclemente, ardendo rente aperta, desce outra pa gente?,
moditalagá esse dissabor, será se conserta?, se cura?, desce reta.
só num dói mais que disamor a história turva garapa aguardida,
amarga é a lida desse lado da fronteira
de quem se rasta
resta
se reta na vida
sem beira nem eira
nem beira nem eira nem porra nenhuma

ê vida lasquera.

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