pretocídio

é na produção e na reprodução
que a navalha do corte
que o chamado da morte

se menina é nova é na reprodução
e na clandestinagem da interrupção

(“ah, mas nisso tu num pensou
na hora do bem-baum”
“as da sua raça güenta,
nem precisa de injeção”)

se muleque é novo é pela produção
na função de trafica até a de avião

(ou só pela impressão
a mera suspeição
de.
é o kitpeba em ação
é o terror do bonezão
as angú$tia pela redução)

e desde abolição é assim que mata aqui
assim que se descarta povo preto aqui
na espreita de curetar, na fila de parir,
na mira da UPP, se responde ou se fugir

morte matada pela mão de luva branca y verde
pique hospital
encomendada pela mão armada, filmadora-capacete
de policial

do exército
no morro,
socorro!

política de extermínio é que nem bala no troco de pão
engole tododia uma pá de irmã y irmão
o povo sem sobrenome da família
mais bastardizada da nação

y tudo isso pros boy ficá doidão
pra não faltá mão-de-obra pro patrão
pra empregada ter sempre substituição
pra lotá os complexo de contenção
ter muita notícia batida no jornal da televisão

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