tchauzinho

[diz que não pode: usar regata, voar (como pássaras), dar tchauzinho]

vejo embaixo da pele de meu corpo
que esse corpo abre y se retrai
que nem água
que nem ondas

toda flacidez incomodante
ultrajante
revoltante
engordante treme
sacode
balança
[pelanca]
que nem água
encapsulada
que quer se derramar

eu me vejo & percebo a carência feita dágua
a gordura feita dágua
a amante feita dágua
y corpo em água desfeita
enclausurada

(quando eu era menina, achava que esse corpo – meu corpo – era uma cilada, que alguém ia aparecer pra me libertar
[ou então que eu ia magicamente acordar em outro corpo, não-gordo])

não teve dieta mágica
exercício mágico
hormônio mágico
pílula mágica
nada que me fizesse desengordar

só tempo passar
& corpo abrir que nem água de ondas
depois de retesar

agora às vezes acho que parece que não sou gorda
de longe, talvez, parece?, não sei…
mas as evidências marcadas em meu corpo
os acúmulos
as marcas
as estrias
memórias
y, óbvio, a flacidez

me lançam num lugar de entender que cilada
não é meu corpo
em suas idas y vindas por formas distintas
[diz que chama efeito sanfona]
mas o lá fora
com suas duras medidas

[mas será que eu entendo mesmo?]

jul014

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