sonho

eu me deito
eu me durmo
eu sonho
sonho com uma montanha coberta de árvore cobertas de folhas cobertas de ar
ar por todos os lados y poros, dentro y fora
se mexendo dançarinamente que nem vento de acordar
de acolher
de acariciar
sonho com uma montanha de árvore coberta de folhas cheias de gotas
de água
cada gota brilha como uma lente pequena redonda convexamente contando
os segredos do mundo inteiro
(e de todo mundo que olha cada uma delas
de perto)
sonho com um tipo de água de redenção
que vem nos libertar
uma grande quantidade de água que vejo do alto de uma serra precária
enquanto corro tão rápido que alguém pensaria que voo
& então depois da serra aparece mar
mar verde
verde escuro
cheio de promessa de limpar tudo
& fazer tudo certo agora, dessa vez
tem casas também
casas enormes que o mar lambe com suas ondas se espalhando
chegando nos azulejos, no piso de uma garagem
primeiro
(o piso é vermelho
cimento-quemado
“vermelhão”
coisa boa de minas)
y logo as línguas molhadas de mar vão subindo
pelas paredes
pelas escadas
molhando os degraus de madeira
as janelas
as cortinas
os móveis
as camas
as louças
os restos de comida
não tem ninguém nessas casas enormes que eu sonho
pelo menos ninguém como a gente

e o silêncio repentino das ondas deixa tudo com cara de um filme antigo de ficção científica futurista rodado em super 8 de imagem bem granulada colorido em techinicolor

é engraçado quando eu sonho
depois de dormir
depois de deitar.

primavera de 2010, pra lice gabriel

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